O Lado Sombrio da Exploração do Jaborandi: Expropriação Ambiental e Trabalho Escravo Contemporâneo na Amazônia Brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.32991/2237-2717.2026v16i1.p423-453

Palavras-chave:

Jaborandi, trabalho escravo, Amazônia

Resumo

Este artigo tem por objetivo analisar a exploração do jaborandi na Amazônia, destacando sua apropriação histórica e os impactos socioambientais associados. A pesquisa discute como a planta, utilizada tradicionalmente por povos indígenas, foi integrada a cadeias globais de produção farmacêutica a partir do século XIX, culminando na intensificação da extração durante o século XX. O texto examina o papel da empresa Merck, que monopolizou a exploração do jaborandi no Brasil, e a criação da Vegetex para garantir o fornecimento da matéria-prima. Além disso, aborda a relação entre essa atividade e o trabalho escravo contemporâneo, especialmente no sul do Pará, onde trabalhadores foram submetidos a condições degradantes. Por meio da análise de documentos, depoimentos e reportagens, o artigo revela como a busca pelo jaborandi contribuiu para a perpetuação da exploração da mão de obra e da degradação ambiental na Amazônia.

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Publicado

2026-03-24

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Seção

Artigos

Como Citar

O Lado Sombrio da Exploração do Jaborandi: Expropriação Ambiental e Trabalho Escravo Contemporâneo na Amazônia Brasileira. (2026). Historia Ambiental Latinoamericana Y Caribeña (HALAC) Revista De La Solcha, 16(1), 423-453. https://doi.org/10.32991/2237-2717.2026v16i1.p423-453